Temporais deixam rastro de destruição no Paraná e atingem centenas de casas em várias regiões

Granizo, vendavais e chuva forte provocaram destelhamentos, quedas de árvores, falta de energia e danos em estruturas públicas; Pinhão, Dois Vizinhos, Ponta Grossa, Cascavel, Curitiba e cidades do Norte estão entre as áreas atingidas

O Paraná amanheceu nesta segunda-feira (31) contabilizando os estragos provocados pelos temporais que atingiram diferentes regiões do Estado entre a tarde de domingo (30) e a madrugada desta segunda. A combinação de chuva intensa, granizo e ventos fortes provocou destelhamentos, queda de árvores, danos em veículos, estruturas públicas e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

A dimensão dos estragos aparece no primeiro levantamento da Defesa Civil do Paraná: pelo menos 10 municípios registraram ocorrências, com 722 casas danificadas e aproximadamente 2,2 mil pessoas afetadas.

A Copel também registrou centenas de ocorrências na rede elétrica. Até as 14h30 de domingo, eram 506 emergências, que chegaram a deixar aproximadamente 20 mil imóveis sem energia elétrica.

Pinhão teve mais de 400 casas atingidas

Uma das situações mais graves foi registrada em Pinhão, na região Central do Paraná.

O município, que possui cerca de 30 mil habitantes, teve mais de 400 ocorrências de casas danificadas após a passagem de dois temporais. Segundo a Defesa Civil, aproximadamente 1,2 mil pessoas foram afetadas.

Apesar dos danos, não havia registro de moradores desalojados ou desabrigados.

As pedras de granizo provocaram danos principalmente em telhados. Em alguns pontos da região Central, o tamanho do granizo chamou atenção dos moradores, com pedras comparadas ao tamanho de ovos de galinha.

Guarapuava e Candói também registraram estragos, incluindo destelhamentos e quedas de árvores em ruas, sobre casas e veículos. Até o momento, não havia registro de pessoas feridas.

Dois Vizinhos teve 400 famílias atingidas

No Sudoeste, Dois Vizinhos também enfrentou uma situação de emergência após o temporal.

Segundo informações exibidas pela RPC, 400 famílias foram atingidas. Além dos danos em residências, prédios públicos também sofreram prejuízos.

A situação levou equipes municipais a trabalharem no levantamento dos danos e no atendimento às famílias atingidas.

A RPC mostrou que os efeitos da tempestade foram sentidos em diferentes pontos do Sudoeste, com quedas de árvores e problemas provocados pela força dos ventos.

Ponta Grossa teve casas destelhadas e ginásio danificado

Nos Campos Gerais, Ponta Grossa também registrou estragos provocados pelo vendaval.

De acordo com a RPC, casas foram destelhadas e a cobertura de um ginásio foi derrubada pela força das rajadas.

A chuva também provocou bloqueios e transtornos em vias da cidade, exigindo a atuação das equipes responsáveis pela limpeza e liberação dos locais atingidos.

Cascavel: vento destruiu estrutura no autódromo

Em Cascavel, no Oeste do Paraná, um dos pontos mais visíveis dos estragos foi o Autódromo Internacional Zilmar Beux.

Segundo a RPC, o temporal destruiu uma estrutura montada no autódromo, com boxes que estavam sendo utilizados para o Campeonato Paulista sendo levados pela força do vento.

O episódio demonstra a intensidade das rajadas registradas durante a passagem das tempestades pela região.

Norte do Paraná também teve estragos

O temporal não ficou concentrado apenas no Centro-Sul e Oeste.

No Norte do Estado, a chuva acompanhada de ventos fortes provocou queda de árvores e postes, bloqueio de rodovias e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Em Londrina, um levantamento da Defesa Civil Municipal apontou 65 destelhamentos e 16 árvores derrubadas após a chuva acompanhada de ventos fortes registrada no sábado (29).

A Zona Norte concentrou grande parte das ocorrências. Somente no Jardim Primavera, 31 residências foram destelhadas.

Não houve registro de feridos.

Curitiba teve destelhamento e queda de árvore sobre casa

Na capital, a tempestade também provocou danos.

Segundo a RPC, um posto foi destelhado e um pinheiro caiu sobre uma residência.

Outras árvores também caíram em diferentes pontos de Curitiba, provocando bloqueios de ruas e deixando moradores sem energia elétrica.

Em Rio Negro, na Região Metropolitana, também foram registrados danos provocados pelo vendaval.

Chuva também atingiu outras regiões

Os dados das estações meteorológicas mostram que a instabilidade foi bastante espalhada pelo Estado.

Entre os maiores volumes registrados no domingo estavam:

  • Morretes: 73,4 mm
  • União da Vitória: 66,4 mm
  • General Carneiro: 73,8 mm pelo INMET
  • Curitiba: 53,8 mm pelo Simepar
  • Palmas: 52,2 mm
  • Colombo: 52,8 mm
  • Cerro Azul: 48,6 mm
  • Pinhais: 38,4 mm
  • Pato Branco: 37,2 mm
  • Ponta Grossa: 24,4 mm
  • Cascavel: 18,2 mm
  • Guarapuava: 27,6 mm

Os dados são das estações monitoradas pelo Simepar e pelo Instituto Nacional de Meteorologia.

Alerta continua nesta segunda-feira

Apesar de parte dos temporais já ter passado, o risco ainda não terminou.

O Simepar informa que áreas de instabilidade continuam avançando pelo Paraná nesta segunda-feira, com possibilidade de chuvas fortes, raios, granizo e rajadas de vento.

Em Cascavel, por exemplo, a previsão desta segunda aponta 98% de probabilidade de chuva e acumulado estimado em 46,6 milímetros, com rajadas que podem chegar a 65 km/h.

A previsão horária também indica momentos de chuva forte e rajadas superiores a 60 km/h ao longo do dia.

O cenário muda gradualmente com o avanço da frente fria. Na terça-feira (1º), a instabilidade ainda deve atingir principalmente o Centro, Campos Gerais, Região Metropolitana de Curitiba e Sul, com possibilidade de chuva mais volumosa.

Depois da passagem do sistema, as temperaturas devem cair.

Paraná começa a semana em alerta

O episódio deste fim de semana mostra a dimensão da mudança nas condições do tempo no Paraná. Em poucos dias, o Estado passou por temperaturas elevadas e ventos fortes e agora enfrenta uma sequência de tempestades associadas à frente fria e às áreas de baixa pressão.

A orientação dos órgãos de meteorologia e Defesa Civil é para que a população acompanhe os alertas oficiais e evite permanecer em áreas abertas durante tempestades.

Em caso de ventos fortes, a recomendação é permanecer dentro de uma edificação segura, afastado de janelas. Também é importante evitar árvores, postes, estruturas metálicas e locais sujeitos a alagamentos.

Motoristas devem redobrar a atenção nas rodovias, principalmente durante períodos de chuva intensa, devido à redução da visibilidade, possibilidade de queda de árvores e risco de aquaplanagem.

O levantamento dos prejuízos ainda pode aumentar à medida que as equipes municipais e a Defesa Civil avançam pelas áreas atingidas.

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