Excesso de umidade interrompe trabalhos em algumas regiões, atrasa operações e aumenta o risco de perda de qualidade em culturas de inverno
As chuvas registradas no Paraná nos últimos dias continuam interferindo no calendário agrícola e obrigando produtores a interromper temporariamente atividades no campo. O excesso de umidade dificulta a entrada de máquinas nas lavouras, atrasa colheitas e também reduz o ritmo do plantio da safra 2026/27.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, as precipitações entre os dias 8 e 14 de setembro interromperam trabalhos em diferentes regiões. Mesmo assim, o milho da primeira safra já alcançou 43% da área prevista, enquanto a soja chegou a 2%.
Milho e soja avançam, mas dependem do tempo
O plantio do milho de verão ganhou ritmo no início da semana analisada pelo Deral, favorecido pela umidade do solo. Algumas áreas já apresentam emergência e desenvolvimento inicial das plantas.
As chuvas, entretanto, voltaram a paralisar as operações em determinadas localidades. O Deral aponta que 97% das áreas de milho já implantadas estão em boas condições.
Na soja, o plantio começou de maneira mais pontual. Alguns produtores anteciparam a semeadura diante das preocupações relacionadas ao comportamento climático durante a safra, enquanto outras regiões aguardam condições mais adequadas para avançar.
No Sudoeste, o impacto já é mais evidente. Em Pato Branco, por exemplo, produtores relatam atraso de até 25 pontos percentuais em relação ao ritmo esperado para o plantio da soja, devido aos solos encharcados e à redução dos dias disponíveis para trabalho.
Excesso de umidade preocupa nas lavouras de inverno
Enquanto o plantio da nova safra avança, culturas que ainda estão em fase de colheita enfrentam dificuldades.
O trigo está entre os principais pontos de atenção. A chuva pode reduzir o peso e a qualidade dos grãos e favorecer doenças, principalmente quando a lavoura permanece por muito tempo em condições de alta umidade.
A cevada também enfrenta dificuldades, com maior risco de doenças fúngicas e interrupções no acesso das máquinas às áreas produtoras. A aveia, a batata e outras culturas igualmente registraram paralisações ou atrasos.
Impacto também chega ao consumidor
Além do produtor, os efeitos podem aparecer na cadeia de abastecimento. Hortaliças, frutas e outros produtos perecíveis são particularmente sensíveis quando chuvas fortes provocam problemas nas lavouras e dificultam o transporte.
A Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná (AERP) destacou que o excesso de chuva já provoca dificuldades de acesso a propriedades rurais e escoamento da produção em algumas regiões. A avaliação é de que podem ocorrer aumentos pontuais de preços, especialmente em frutas, verduras e legumes, embora ainda não seja possível afirmar uma alta generalizada dos alimentos.
Produtores aguardam janela de tempo firme
O cenário, portanto, é de atenção no campo. A chuva é importante para garantir umidade para o início da safra, mas o excesso acaba criando o efeito contrário: impede a entrada das máquinas, atrasa o calendário e aumenta os riscos para culturas próximas da colheita.
A expectativa dos produtores é aproveitar os períodos de tempo firme para retomar rapidamente as operações e reduzir os impactos sobre o calendário da safra 2026/27.
Fonte: Deral/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná.