Senado aprova PEC da Segurança Pública por unanimidade; proposta pode mudar atuação das polícias e guardas municipais

O Senado Federal aprovou, na terça-feira (3), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que prevê mudanças importantes na organização das forças policiais e no combate ao crime organizado no Brasil. A proposta recebeu apoio unânime dos senadores nos dois turnos de votação e agora segue para promulgação, conforme o texto aprovado.

A PEC 18/2025 estabelece novas diretrizes para a atuação conjunta entre União, estados, Distrito Federal e municípios, com o objetivo de fortalecer o enfrentamento às facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.

A medida também prevê mudanças nas atribuições de instituições como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, além de abrir caminho para a criação de polícias municipais de natureza civil, obedecendo a critérios estabelecidos na Constituição.

A aprovação representa uma mudança importante na estrutura da segurança pública brasileira e pode ter reflexos diretos nos estados e nas administrações municipais, inclusive no Paraná.

Votação teve apoio de todos os senadores

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A proposta foi aprovada em dois turnos, com os seguintes resultados:

  • Primeiro turno: 73 votos favoráveis e nenhum contrário.
  • Segundo turno: 75 votos favoráveis e nenhum contrário.

A votação ocorreu após articulações entre representantes do governo federal, parlamentares e lideranças partidárias.

A proposta havia sido aprovada anteriormente pela Câmara dos Deputados e passou por modificações durante a análise no Senado.

O texto aprovado busca fortalecer a integração das forças de segurança e garantir maior continuidade no financiamento das políticas públicas do setor.Ministério da Justiça e Segurança Pública+2

O que muda com a PEC da Segurança Pública?

Entre os principais pontos da proposta estão mudanças que atingem diretamente a estrutura de segurança pública do país.

1. Sistema Único de Segurança Pública passa a integrar a Constituição

O Sistema Único de Segurança Pública (Susp) será incorporado ao texto constitucional.

Na prática, a medida busca fortalecer a cooperação entre as instituições policiais e facilitar o compartilhamento de informações, planejamento de operações e desenvolvimento de políticas conjuntas.

2. Polícia Federal terá atuação ampliada

A proposta amplia a competência da Polícia Federal no enfrentamento às organizações criminosas e aos crimes ambientais, especialmente quando houver repercussão interestadual ou internacional, conforme as atribuições constitucionais.

3. Polícia Rodoviária Federal poderá atuar em ferrovias e hidrovias federais

A PEC amplia a atuação da PRF para além das rodovias federais, permitindo também o policiamento ostensivo em ferrovias e hidrovias federais.

A mudança pode ter importância estratégica em regiões com circulação de cargas, corredores logísticos e rotas utilizadas pelo crime organizado.

4. Recursos para segurança pública terão maior proteção

A proposta constitucionaliza os fundos nacionais de Segurança Pública e Penitenciário, estabelecendo mecanismos para impedir bloqueios e contingenciamentos de seus recursos, ressalvadas as hipóteses previstas no texto.

A intenção é garantir maior previsibilidade financeira para investimentos em equipamentos, estrutura, tecnologia e ações de combate à criminalidade.Ministério da Justiça e Segurança Pública+2

Polícias municipais: o que muda para as prefeituras?

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Um dos pontos que mais chamam a atenção dos gestores municipais é a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil.

A proposta permite que municípios, cumprindo os requisitos constitucionais, organizem suas estruturas de segurança com essa nova configuração.

Entre as exigências estão critérios de formação profissional, capacidade financeira e fiscalização pelo Ministério Público.

Na prática, a mudança abre uma discussão importante para as prefeituras: como financiar, estruturar e manter uma força municipal de segurança com atribuições ampliadas?

Para cidades paranaenses que já possuem guardas municipais, o tema merece acompanhamento, pois poderá representar mudanças institucionais e operacionais.

É importante esclarecer que a aprovação da PEC não significa que todas as guardas municipais serão automaticamente transformadas em polícias municipais.Senado Notícias+1

Proposta também prevê punições mais rigorosas para integrantes de facções

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Outro eixo importante da PEC é o endurecimento das medidas contra integrantes de organizações criminosas, milícias e grupos paramilitares.

O texto estabelece punições proporcionais à posição ocupada pelo integrante dentro da organização.

Entre as medidas previstas estão:

  • Cumprimento obrigatório de pena em estabelecimentos de segurança máxima, nas hipóteses previstas.
  • Restrições à progressão de regime.
  • Limitações a determinados benefícios processuais.
  • Possibilidade de confisco de bens ligados às atividades criminosas.
  • Responsabilização de empresas envolvidas com organizações criminosas.
  • Proteção a denunciantes e seus familiares.

A intenção é atingir não apenas os integrantes que executam atividades criminosas, mas também as estruturas financeiras e de comando dessas organizações.Senado Notícias

Redução da maioridade penal ficou fora da PEC

Um dos assuntos que gerou divergência durante a votação foi a possibilidade de reduzir a maioridade penal.

Duas emendas apresentadas no Senado tratavam da redução da idade de responsabilização penal de 18 para 16 anos, em determinadas situações, e até 14 anos para alguns crimes, conforme uma das propostas.

Entretanto, o relator defendeu que o assunto fosse separado da PEC da Segurança Pública.

O desmembramento foi aprovado por 38 votos a 36.

Com isso, a redução da maioridade penal não foi aprovada pela PEC. O tema deverá ser discutido em propostas próprias, com tramitação independente.

A decisão permitiu que o texto principal avançasse sem prolongar a votação por causa de um tema que divide opiniões no Congresso Nacional.Senado Notícias

O que muda para o Paraná?

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Para o Paraná, a aprovação da PEC tem relevância especial por causa das características territoriais e econômicas do Estado.

O Paraná possui fronteiras internacionais com Paraguai e Argentina, além de importantes corredores rodoviários, ferroviários e logísticos.

A integração das forças de segurança pode fortalecer ações de combate ao tráfico de drogas, contrabando, roubo de cargas e organizações criminosas que atuam em diferentes estados e países.

A ampliação das atribuições da Polícia Federal também merece atenção, especialmente em investigações que ultrapassam os limites estaduais.

Já para as prefeituras, a possibilidade de criação de polícias municipais abre um novo debate sobre estrutura, orçamento, formação profissional e responsabilidade na segurança pública.

Em municípios menores do Oeste paranaense, por exemplo, a discussão sobre os custos de manutenção de uma estrutura própria de segurança será especialmente importante.

Quando as mudanças começam a valer?

Com a aprovação da PEC nas duas casas legislativas, o próximo passo é a promulgação pelo Congresso Nacional.

A partir da promulgação, as mudanças constitucionais passam a produzir efeitos conforme as regras de aplicação previstas no próprio texto, respeitando também a necessidade de regulamentação quando exigida.

Portanto, não significa que todas as mudanças operacionais acontecerão imediatamente ou que as prefeituras terão de criar novas corporações policiais de forma automática.

O processo de implementação dependerá das disposições constitucionais, das normas complementares e da organização de cada ente federativo.Secretaria de Relações Institucionais+1

O que fica de mais importante: a PEC da Segurança Pública representa uma mudança estrutural na política de segurança brasileira. A proposta fortalece a integração entre os governos, amplia competências de forças federais, cria condições para novas estruturas municipais e estabelece mecanismos de financiamento e combate ao crime organizado.

Para o Paraná, o principal desafio será transformar as mudanças constitucionais em resultados concretos nas ruas, nas fronteiras e nas cidades.

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