Professores retornam às aulas sob cenário de desgaste emocional e sobrecarga no Paraná

Levantamento aponta que a maioria dos docentes paranaenses encerra o dia emocionalmente esgotada, enquanto mais da metade já pensou em abandonar a profissão.

O início do segundo semestre letivo na rede de ensino do Paraná acontece acompanhado por um alerta sobre a saúde física e emocional dos professores. Uma pesquisa nacional revela que grande parte dos docentes paranaenses enfrenta altos níveis de exaustão, sobrecarga de trabalho e desmotivação, fatores que vêm impactando diretamente a rotina escolar.

O levantamento “O Estado do Professor Brasileiro 2026”, realizado pelo Instituto Casagrande Social, ouviu mais de 5 mil profissionais da Educação Básica em todo o país, sendo 605 professores do Paraná. Os resultados mostram que 69,1% dos docentes paranaenses afirmam terminar a jornada de trabalho emocionalmente esgotados e 51,6% dizem já ter considerado deixar a carreira ao menos uma vez no último ano.

Sobrecarga vai além da sala de aula

A pesquisa aponta que o trabalho do professor não termina quando as aulas acabam. Entre os entrevistados no Paraná:

  • 87,6% acreditam que a profissão se tornou mais complexa nos últimos anos;
  • 84,3% afirmam que hoje exercem funções que vão além do ensino;
  • 78,1% continuam realizando atividades profissionais fora da carga horária oficial.

Especialistas destacam que, além do ensino, os educadores precisam lidar diariamente com demandas burocráticas, conflitos escolares, atendimento às famílias e desafios relacionados ao comportamento dos alunos.

Saúde mental preocupa

Outro dado que chama atenção é o impacto da profissão sobre a saúde dos professores. Segundo a pesquisa, 19,2% dos docentes paranaenses precisaram se afastar do trabalho no último ano por problemas de saúde relacionados, total ou parcialmente, à atividade profissional.

O estudo também mostra que muitos profissionais relatam sensação constante de cansaço, dificuldade para se desligar das responsabilidades escolares e perda da qualidade de vida.

Relação com alunos e famílias também mudou

O levantamento revela ainda mudanças no ambiente escolar. Entre os professores consultados:

  • 61,5% afirmam já ter enfrentado episódios frequentes de desrespeito por parte de estudantes;
  • 77,3% acreditam que a autoridade do professor diminuiu nos últimos anos;
  • 44,6% dizem não se sentir suficientemente respaldados pelas instituições diante de conflitos com alunos ou familiares.

Governo destaca programas de apoio

Em resposta ao cenário apresentado pela pesquisa, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) informou que mantém programas voltados ao cuidado com a saúde dos profissionais da rede estadual.

Entre as iniciativas está o Programa Bem Cuidar, desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), que oferece atendimento psicológico e psiquiátrico aos servidores. Segundo a pasta, mais de 28 mil atendimentos já foram realizados desde a criação do programa.

A Secretaria também informou que conta com aproximadamente 300 psicólogos e assistentes sociais distribuídos pelos Núcleos Regionais de Educação para prestar suporte às escolas e destacou que o número de professores da rede estadual passou de 80.467 em 2023 para 84.175 em 2025, reforçando o quadro de profissionais.

Apesar das ações em andamento, o levantamento reforça a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à valorização da carreira docente, ao bem-estar dos profissionais e à melhoria das condições de trabalho nas escolas.

Fonte: Tribuna do Paraná e Secretaria de Estado da Educação do Paraná.

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