O Paraná deve continuar entre os estados com melhor desempenho econômico da Região Sul nos próximos anos, mesmo diante da expectativa de desaceleração da economia brasileira. A avaliação faz parte de um estudo divulgado pelo Departamento Econômico do Santander, que projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) paranaense de 1,1% em 2026 e 0,8% em 2027. Apesar do ritmo mais moderado, o Estado mantém indicadores considerados sólidos e segue impulsionado principalmente pelo setor industrial.
Paraná continua acima da média regional
O levantamento aponta que o ciclo de crescimento acelerado observado nos últimos anos tende a perder força em todo o país devido aos juros elevados, crédito mais restrito e desaceleração da atividade econômica. Ainda assim, o Paraná permanece entre os destaques da Região Sul graças à diversidade de sua economia e à força da indústria de transformação.
Segundo o economista Rodolfo Pavan, um dos autores do estudo, o Estado acompanha o cenário nacional de menor expansão, mas preserva vantagens competitivas importantes, especialmente na atividade industrial.
Indústria será principal motor da economia
A indústria aparece como o principal diferencial da economia paranaense. As projeções indicam crescimento de:
- 1,8% em 2026
- 1,7% em 2027
Os índices ficam acima das médias previstas para a Região Sul e para o Brasil, demonstrando a capacidade do setor industrial de sustentar parte do crescimento econômico mesmo em um ambiente de juros elevados e menor consumo.
O desempenho reforça a posição do Paraná como um dos principais polos industriais do país, com destaque para segmentos como alimentos, papel e celulose, automóveis, máquinas, tecnologia e agronegócio industrializado.
Serviços seguem crescendo
O setor de serviços também deve continuar contribuindo para a economia estadual.
As estimativas apontam expansão de:
- 1,8% em 2026
- 1% em 2027
Embora em ritmo menor do que nos últimos anos, o segmento continua beneficiado pelo mercado de trabalho relativamente aquecido e pela recuperação gradual do consumo.
Agropecuária perde ritmo após safra recorde
Depois do forte desempenho registrado em 2025, impulsionado por uma safra histórica de grãos, a agropecuária deve apresentar desaceleração natural nos próximos anos.
O relatório ressalta que o Estado continuará produzindo em níveis elevados, mas alerta que fatores climáticos passam a representar um dos principais riscos para o setor. Entre eles está a possibilidade de novos eventos associados ao fenômeno El Niño, que podem afetar a produtividade agrícola.
Mercado de trabalho ajuda a manter a economia
Outro fator apontado como positivo é a resiliência do mercado de trabalho paranaense.
Mesmo com uma economia crescendo em ritmo mais lento, o emprego e a renda continuam sustentando parte do consumo das famílias, reduzindo os impactos da política monetária restritiva sobre a atividade econômica.
Paraná chega fortalecido
Os números reforçam uma tendência observada nos últimos anos. Dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) mostram que o Paraná registrou crescimento acima da média nacional em 2025, impulsionado principalmente pela agropecuária, indústria e serviços, consolidando-se como a quarta maior economia do Brasil.
Desafios permanecem
Apesar do cenário favorável, o estudo alerta que a economia brasileira deverá enfrentar um período de menor dinamismo. Entre os principais riscos estão:
- manutenção dos juros elevados;
- menor oferta de crédito;
- desaceleração do consumo;
- instabilidade no cenário internacional;
- impactos de eventos climáticos sobre a produção agrícola.
Mesmo diante desses desafios, a avaliação do Santander é de que o Paraná reúne condições para continuar crescendo acima de diversos estados brasileiros, apoiado em uma economia diversificada, uma indústria competitiva e um mercado de trabalho considerado resiliente.