O que dizem os números a pouco mais de três meses do primeiro turno da eleição presidencial
A nova pesquisa Datafolha divulgada no sábado 20 apresentou um retrato distinto daquele observado nos principais levantamentos nacionais das últimas semanas. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continue liderando a disputa presidencial de 2026, o instituto registrou estabilidade nos cenários de primeiro e segundo turno, interrompendo a sequência de pesquisas que apontavam ampliação da vantagem do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Trata-se, portanto, de um alerta para o petista a pouco mais de três meses para o primeiro turno.
No principal cenário de segundo turno, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Os percentuais são exatamente os mesmos registrados pelo Datafolha em maio, indicando manutenção do quadro eleitoral dentro da margem de erro.
Como está a disputa no segundo turno?
Os números mostram que a polarização entre Lula e Flávio permanece como eixo central da corrida presidencial. Apesar da liderança do presidente, o levantamento não identificou crescimento adicional da vantagem petista em relação ao principal adversário.
resultado contrasta com pesquisas divulgadas ao longo de junho. Levantamentos da Quaest, da BTG/Nexus e da CNT/MDA registraram aumento da distância entre os dois candidatos, especialmente nos cenários de segundo turno. O Datafolha, porém, sugere uma estabilização desse movimento na reta final do primeiro semestre eleitoral.
O caso Banco Master ainda produz efeitos eleitorais?
A estabilidade registrada pelo Datafolha ocorre após semanas marcadas pela repercussão do caso Dark Horse, que revelou a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Pesquisas divulgadas logo após a divulgação dos áudios envolvendo o senador apontaram crescimento da vantagem de Lula e desgaste para o parlamentar. O novo levantamento, contudo, não registrou nova queda relevante de Flávio nem ampliação da dianteira do presidente. O cenário sugere que os efeitos iniciais do episódio podem já ter sido absorvidos pelo eleitorado captado pelos institutos de pesquisa.
A operação contra Jaques Wagner teve impacto?
O levantamento também coincidiu com outro fato de potencial repercussão política: a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, no âmbito de uma investigação relacionada ao Banco Master. A pesquisa, porém, começou a ser realizada antes da divulgação do caso. Como parte significativa das entrevistas foi feita sem que os eleitores tivessem conhecimento da operação, o Datafolha não permite medir de forma conclusiva eventuais reflexos políticos do episódio. Por essa razão, os próximos levantamentos nacionais serão observados com atenção para identificar se haverá algum impacto sobre a imagem do governo ou sobre a disputa presidencial.
Existe espaço para uma terceira via?
Os dados do levantamento sugerem que o espaço continua restrito. Mesmo após episódios de desgaste envolvendo os dois polos da disputa, os demais pré-candidatos permanecem em patamares de um dígito e sem sinais de crescimento consistente. A dificuldade de nomes como Caiado, Zema, Joaquim Barbosa e outros em converter visibilidade em intenção de voto ajuda a explicar por que Lula e Flávio seguem concentrando a maior parte das preferências eleitorais.
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