Paraná tem 176 cidades sem nenhuma agência bancária após fechamento de 667 unidades

Levantamento do Dieese mostra que quase 450 mil paranaenses vivem em municípios sem agência física; digitalização muda atendimento, mas aumenta dificuldades para parte da população

O Paraná perdeu 667 agências bancárias entre 2015 e 2025, e o resultado dessa transformação já pode ser sentido principalmente no interior. Ao final de 2025, 176 municípios paranaenses não tinham nenhuma agência bancária física em funcionamento, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Juntas, essas cidades concentram aproximadamente 450 mil moradores, que, em muitos casos, precisam se deslocar para municípios vizinhos quando necessitam de atendimento presencial, especialmente para serviços que não conseguem realizar pelos aplicativos ou canais digitais.

Curitiba lidera número de fechamentos

A capital paranaense foi a cidade que mais perdeu agências no período analisado. Foram 192 unidades fechadas entre 2015 e 2025.

Na sequência aparecem:

  • Londrina: 37 agências fechadas;
  • Maringá: 27;
  • Cascavel: 15;
  • Foz do Iguaçu: 10;
  • Ponta Grossa: 8;
  • Toledo: 6;
  • São José dos Pinhais: 6.

Ao todo, 237 municípios paranaenses perderam pelo menos uma agência durante a década.

Pequenas cidades são as mais afetadas

O levantamento mostra que o fechamento das últimas agências tem impacto especialmente forte nos municípios de menor porte.

Entre 2015 e 2025, 57 cidades paranaenses com menos de 100 mil habitantes perderam sua última agência bancária. Com isso, moradores passaram a depender de cidades-polo próximas para realizar determinadas operações.

Um dos exemplos é Califórnia, no Norte do Paraná. Com cerca de 8,7 mil habitantes, o município perdeu sua última agência bancária em 2025. Para alguns serviços, moradores precisam viajar até Apucarana, a aproximadamente 19 quilômetros de distância.

A situação é particularmente complicada para aposentados e pessoas que ainda utilizam dinheiro em espécie ou têm dificuldades para utilizar aplicativos bancários.

Digitalização acelera transformação

A expansão dos serviços digitais é apontada como um dos principais fatores para a redução da rede física.

Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), cerca de 83% das transações bancárias realizadas no Brasil em 2025 ocorreram por canais digitais. Somente as operações feitas por celular chegaram a 187,5 bilhões.

A mudança reduz custos para as instituições financeiras, mas também modifica a relação entre bancos e clientes.

Na avaliação da administradora Alexandra Andrade de Almeida Cardoso, do Centro Universitário Integrado, de Campo Mourão, a transformação não está relacionada apenas à tecnologia. Os bancos também passaram a concentrar estruturas físicas onde existe maior quantidade de clientes e maior potencial de rentabilidade.

Impacto vai além do atendimento bancário

O fechamento de uma agência pode provocar efeitos também sobre o comércio das pequenas cidades.

Moradores que precisam viajar para outra cidade para sacar aposentadorias, receber benefícios ou resolver pendências bancárias acabam permanecendo naquele município por mais tempo. Com isso, parte do dinheiro que poderia circular no comércio local acaba sendo gasto na cidade onde está localizada a agência.

Em Califórnia, por exemplo, representantes locais relatam que a redução da presença bancária já afeta diretamente o movimento do comércio.

Um problema que merece atenção dos municípios

O avanço dos bancos digitais e das fintechs trouxe praticidade para milhões de brasileiros, mas a realidade não é igual em todas as cidades.

Idosos, pessoas com dificuldade de acesso à internet, moradores de áreas rurais e consumidores que dependem do atendimento presencial podem enfrentar mais obstáculos quando a agência mais próxima fica em outro município.

O cenário também coloca um desafio para as administrações municipais: garantir que a população tenha alternativas para acessar serviços financeiros básicos e que a economia local não perca circulação de recursos.

O Paraná acompanha uma tendência nacional de redução das agências físicas, mas os números mostram que, para centenas de municípios, a transformação do sistema bancário já deixou de ser apenas uma questão de tecnologia e passou a ser também uma questão de acesso a serviços e desenvolvimento local.

Fonte: levantamento do Dieese publicado pela Tribuna do Paraná, com informações complementares da PACTU/Vigília Comunica.

Veja também