A disputa pelo Governo do Paraná ganhou novos números nesta semana, e as pesquisas divulgadas nos últimos dias colocam Sergio Moro (PL) na liderança, embora com diferenças importantes entre os institutos.
O levantamento mais recente é o da RealTime Big Data, divulgado nesta terça-feira (18). Moro aparece com 37% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. Requião Filho (PDT) tem 20% e Sandro Alex (PSD), 22%.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-09262/2026.
Mas o resultado chama atenção principalmente quando comparado com outras pesquisas realizadas recentemente.
Pesquisa divulgada um dia antes colocou Moro com 46,1%
Na segunda-feira (17), a Paraná Pesquisas divulgou levantamento realizado entre 13 e 16 de agosto, portanto praticamente no mesmo período da pesquisa RealTime.
Nesse estudo, Moro apareceu com 46,1%, enquanto Requião Filho registrou 23,4% e Sandro Alex, 16,5%.
A diferença entre os dois levantamentos é significativa: 9,1 pontos percentuais para Moro.
A pesquisa Paraná Pesquisas ouviu 1.520 eleitores em 65 municípios e tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais. O levantamento foi registrado no TSE sob o número PR-09048/2026.
O que explica tanta diferença?
É importante não tratar os números como se uma pesquisa estivesse necessariamente “certa” e outra “errada”.
Os institutos utilizam metodologias, questionários, amostras, períodos de coleta e cenários diferentes.
A RealTime entrevistou 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto, enquanto a Paraná Pesquisas ouviu 1.520 pessoas entre 13 e 16 de agosto. Além disso, os dois levantamentos apresentam diferenças na composição dos cenários testados.
Por isso, a leitura mais segura é observar a tendência geral de várias pesquisas, e não apenas comparar dois números isolados.
Moro já apareceu acima de 40% em outros levantamentos
A marca de 37% registrada pela RealTime também fica abaixo de outros levantamentos recentes.
Na pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 27 de julho, Moro apareceu com 39% no primeiro cenário estimulado, contra 18% de Requião Filho, 12% de Rafael Greca e 7% de Sandro Alex.
Já a Paraná Pesquisas, em levantamento realizado em julho, registrou Moro com 45,1% em um dos cenários estimulados. No cenário com uma composição diferente de candidatos, o senador chegou a 40%.
Em maio, Moro chegou a 49,2%
Um dos números mais expressivos dos últimos meses veio novamente da Paraná Pesquisas.
Em maio, no cenário em que estavam Moro e Requião Filho, o senador apareceu com 49,2%, contra 23,7% do adversário.
Na rodada seguinte, em junho, Moro registrou 47,3% nesse mesmo cenário. Em julho, ficou em 45,1%.
Ou seja, dentro dessa série do mesmo instituto, houve uma redução gradual, mas o senador permaneceu com ampla vantagem.
Houve pesquisa com número ainda maior
Também é preciso registrar que, antes das pesquisas mais recentes, outros levantamentos chegaram a colocar Moro acima de 50%.
A AtlasIntel, em pesquisa divulgada em abril, apresentou cenários de primeiro turno nos quais Moro variava entre 51,5% e 52,8%, dependendo da composição dos candidatos.
Outro levantamento, do Instituto Veritá, realizado entre o fim de abril e o início de maio, chegou a apontar Moro com 58,6% em um dos cenários de primeiro turno.
Esses números, entretanto, são de períodos anteriores e não devem ser comparados diretamente com as pesquisas de agosto sem levar em conta as mudanças na lista de candidatos e o avanço da campanha.
📊 Como Moro apareceu nas principais pesquisas
| Instituto | Período | Moro |
|---|---|---|
| RealTime Big Data | 13 a 17/08 | 37% |
| Paraná Pesquisas | 13 a 16/08 | 46,1% |
| Genial/Quaest | 21 a 25/07 | 39% |
| Paraná Pesquisas | Julho | 45,1% |
| Paraná Pesquisas | Maio | 49,2% |
| AtlasIntel | Março/abril | até 52,8% |
| Instituto Veritá | Abril/maio | até 58,6% |
Os percentuais acima correspondem a cenários estimulados diferentes e, portanto, não formam uma série perfeitamente comparável.
Segundo turno também favorece Moro
A pesquisa RealTime divulgada nesta terça-feira mostra que Moro também aparece à frente nos cenários de segundo turno.
Contra Requião Filho, o senador teria 55% contra 27%.
Contra Sandro Alex, Moro aparece com 45% contra 30%.
São diferenças de 28 e 15 pontos percentuais, respectivamente.
Na pesquisa Genial/Quaest de julho, Moro também aparecia na frente nos cenários de segundo turno, mostrando que sua liderança não está restrita ao primeiro turno.
A fotografia de hoje
O cenário eleitoral paranaense ainda está em movimento.
A campanha eleitoral oficial começou em 16 de agosto, e as pesquisas realizadas daqui para frente terão uma importância cada vez maior para medir o impacto da campanha, dos programas eleitorais, das alianças e da exposição dos candidatos.
Por enquanto, o ponto que aparece de maneira consistente nos levantamentos é a liderança de Sergio Moro, mas existe uma diferença considerável entre os percentuais registrados pelos institutos.
A pesquisa de hoje, com 37%, portanto, deve ser lida com cautela: Moro continua na liderança, mas o número está abaixo dos 46,1% registrados pela Paraná Pesquisas apenas um dia antes e também abaixo de marcas superiores a 40% observadas em outros levantamentos recentes.
🔎 O que o eleitor precisa observar daqui para frente
A principal questão não é apenas saber se Moro está em primeiro lugar. O ponto central será verificar se os próximos levantamentos confirmarão os 37% da RealTime ou se os números voltarão para a faixa de 40% a 46% observada em outras pesquisas recentes.
Também será importante acompanhar a disputa pelo segundo lugar. Na RealTime, Sandro Alex aparece com 22% e Requião Filho com 20%, enquanto na Paraná Pesquisas Requião Filho tem 23,4% e Sandro Alex, 16,5%.
Isso mostra que, além da liderança de Moro, a briga pelo segundo lugar ainda está aberta.
Nota metodológica: pesquisas eleitorais com diferentes institutos, períodos de coleta, amostras e cenários não devem ser somadas ou tratadas como uma única tendência matemática. A comparação serve para mostrar a variação dos resultados, não para produzir uma média eleitoral.
Fontes: RealTime Big Data, Paraná Pesquisas, Genial/Quaest, AtlasIntel e Instituto Veritá.