Entidade encaminhou proposta ao governador Ratinho Junior após desastres climáticos atingirem 87 municípios; prejuízos estimados chegam a R$ 38,4 milhões e mais de 30 mil pessoas foram afetadas.
O avanço dos temporais, vendavais e episódios de granizo no Paraná levou o Sistema FAEP a cobrar do Governo do Estado a criação de um Fundo Estadual de Catástrofe voltado exclusivamente ao atendimento de agricultores e pecuaristas atingidos por eventos climáticos extremos.
A proposta foi encaminhada ao governador Carlos Massa Ratinho Junior na sexta-feira (6), por meio de um ofício que solicita a estruturação de uma reserva permanente de recursos para ajudar produtores rurais a recuperar a capacidade produtiva depois de desastres naturais.
A preocupação da entidade é que os prejuízos não se limitam às plantações. Propriedades rurais também enfrentam destruição de barracões, danos em máquinas, perda de equipamentos, erosão do solo, destruição de estradas e necessidade de replantio de lavouras.
De acordo com dados da Defesa Civil do Paraná citados pela FAEP, somente nos seis primeiros dias de novembro foram registradas 94 ocorrências de desastres climáticos em 87 municípios. Os episódios provocaram prejuízos estimados em R$ 38,4 milhões e afetaram mais de 30 mil pessoas. Sistema FAEP+1
Como funcionaria o fundo solicitado pela FAEP?
A proposta prevê a criação de um mecanismo permanente de apoio financeiro ao setor agropecuário, permitindo que agricultores e pecuaristas tenham acesso a recursos para reconstruir estruturas e recuperar investimentos perdidos.
Entre as necessidades que poderiam ser atendidas estão:
- Reconstrução de barracões, instalações e benfeitorias.
- Recuperação de máquinas e equipamentos agrícolas.
- Compra de sementes, fertilizantes e outros insumos.
- Replantio de lavouras destruídas por enxurradas e granizo.
- Recuperação da capacidade produtiva das propriedades.
A intenção é evitar que os produtores dependam exclusivamente de medidas emergenciais tomadas depois de cada desastre, permitindo uma resposta mais rápida diante de novas ocorrências.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, defende que o produtor rural precisa de condições para retomar as atividades sem enfrentar longos períodos de espera por assistência.
Segundo ele, a criação de um fundo com recursos garantidos permitiria que o auxílio chegasse com menos burocracia. Sistema FAEP
Perdas no campo já preocupam produtores
Além dos danos estruturais, a entidade chama atenção para os prejuízos na produção agrícola. Segundo o levantamento apresentado no documento, os cultivos de inverno acumulam perdas médias de 25% na produtividade.
Outro problema é a necessidade de replantio de lavouras de verão recém-implantadas, atingidas por enxurradas e granizo. Para muitos agricultores, isso significa novos gastos com sementes, insumos, combustível e operações de máquinas.
A FAEP também alerta para o cenário financeiro do setor. O Paraná possui aproximadamente R$ 14 bilhões em saldo problemático de operações de crédito rural, montante que, na avaliação da entidade, poderá aumentar diante das perdas provocadas pelos eventos climáticos. Sistema FAEP+1
Ribeirão Claro registrou mais de 200 milímetros de chuva em um dia
Temporal atinge Norte Pioneiro (veja vídeos) – NPDiário
Um dos exemplos mais recentes dos impactos no campo está em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro. Entre os dias 4 e 5 de novembro, o município registrou mais de 200 milímetros de chuva em menos de 24 horas.
O volume provocou rompimento de curvas de nível, erosão, danos em estradas rurais e prejuízos às plantações de milho. Uma ponte estadual entre Ribeirão Claro e Carlópolis também precisou ser interditada, deixando o município temporariamente isolado.
O presidente do Sindicato Rural local, Marcos Minghini Loureiro, relatou a dimensão das perdas e destacou a dificuldade de recuperar áreas onde a erosão levou parte do solo produtivo.
A situação reforça a preocupação com a necessidade de mecanismos financeiros que permitam a recuperação das propriedades atingidas. Sistema FAEP+1
Estradas rurais e transporte também foram prejudicados
Em Santo Antônio da Platina, também no Norte Pioneiro, os temporais provocaram erosões, desbarrancamentos e dificuldades para o plantio da soja.
Na comunidade rural de Água Branca, a elevação do nível da água encobriu uma ponte e dificultou o deslocamento de moradores. A situação também comprometeu rotas utilizadas pelo transporte escolar e por caminhões responsáveis pelo abastecimento de propriedades rurais.
Em Astorga, no Norte Central, um vendaval registrado em 2 de novembro atingiu principalmente o distrito de Tupinambá, destruindo barracões e danificando plantações de soja. Algumas áreas precisarão ser replantadas, o que pode comprometer o calendário da próxima safra. Sistema FAEP+1
Experiência de Rio Bonito do Iguaçu reforça cobrança
A discussão também recupera os impactos do tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu e municípios vizinhos há aproximadamente um ano.
Segundo relatos apresentados por representantes sindicais à FAEP, cerca de 600 propriedades rurais foram atingidas na região. Aproximadamente metade estava localizada em Rio Bonito do Iguaçu, enquanto as demais estavam distribuídas entre Laranjeiras do Sul, Porto Barreiro, Virmond e Candói.
A entidade aponta que produtores de municípios vizinhos também enfrentaram grandes prejuízos e tiveram dificuldades para conseguir apoio estadual.
Para a FAEP, a criação de um fundo permanente permitiria estabelecer critérios de atendimento que não dependam exclusivamente do reconhecimento de calamidade pública em cada município. Sistema FAEP+1
Governo do Paraná terá de avaliar proposta
O documento encaminhado pela FAEP coloca o Governo do Paraná diante de uma discussão importante sobre a capacidade de resposta do Estado aos eventos climáticos extremos.
A criação do fundo, entretanto, ainda é uma proposta da entidade e não significa que os recursos já tenham sido aprovados ou disponibilizados.
Caso seja implementado, o mecanismo poderá representar uma alternativa para agricultores e pecuaristas que enfrentam perdas sucessivas e precisam recuperar suas propriedades para continuar produzindo.
A discussão ganha importância especialmente para o Oeste paranaense, onde a agricultura e a pecuária possuem papel fundamental na economia de dezenas de municípios.
A recuperação do campo não envolve apenas o produtor individualmente: também influencia empregos, cooperativas, comércio, transporte, arrecadação municipal e o abastecimento de alimentos.