Excesso de chuva começa a afetar lavouras do Paraná e atrasa colheita e plantio

As chuvas acima da média registradas nos últimos dias já começam a provocar impactos no campo paranaense. O excesso de umidade interrompeu operações agrícolas, atrasou a colheita de culturas de inverno e dificultou o avanço do plantio da safra de verão 2026/27.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), as precipitações entre os dias 8 e 14 de setembro prejudicaram principalmente as atividades de campo. O plantio do milho de primeira safra chegou a 43% da área prevista, enquanto a soja alcançou 2%. Apesar das interrupções, a maior parte das áreas recém-implantadas ainda apresenta boas condições.

Trigo preocupa produtores

Um dos principais pontos de atenção neste momento é o trigo. A colheita chegou a 29% da área cultivada, mas muitas lavouras ainda estão em maturação.

O excesso de umidade pode reduzir o peso dos grãos e provocar deterioração e perda de qualidade. A baixa incidência de sol também dificulta a secagem das lavouras.

No Norte Pioneiro, onde a colheita está mais atrasada, a preocupação é ainda maior. A umidade prolongada aumenta o risco de doenças fúngicas nas espigas, com possibilidade de redução tanto da produtividade quanto da qualidade do trigo.

Milho também registra perdas

A situação atinge ainda o milho da segunda safra, que está na fase final de colheita. A combinação de chuva e grãos com umidade elevada pode resultar em maior quantidade de produtos avariados e pior classificação no momento da comercialização.

Em algumas regiões, produtores também relatam acamamento e tombamento das plantas. Em Carambeí, nos Campos Gerais, o acumulado chegou a 238 milímetros, quase o dobro da média esperada para setembro. Há propriedades onde parte dos grãos corre risco de não ser retirada do campo.

Solo encharcado dificulta nova safra

O excesso de água também interfere diretamente no início da safra 2026/27. O solo encharcado impede a entrada de máquinas e reduz as janelas disponíveis para o plantio.

No caso da soja, que começa a ser semeada no Paraná, o cenário exige atenção. O Estado prevê aproximadamente 5,76 milhões de hectares destinados à cultura nesta temporada.

Além dos atrasos, o excesso de umidade pode favorecer doenças, erosão e problemas no estabelecimento das plantas.

Próximos dias serão decisivos

O cenário exige acompanhamento constante dos produtores. Uma nova sequência de instabilidade está prevista para os próximos dias, o que pode dificultar ainda mais a recuperação do ritmo normal das atividades agrícolas.

Para o agro paranaense, o momento é de atenção: a safra de verão começa a ser implantada justamente enquanto produtores ainda precisam concluir a colheita de culturas de inverno.

Foto de capa sugerida: lavoura paranaense com solo encharcado e máquinas agrícolas trabalhando após período de chuvas.

Fonte: Deral/Seab, com informações de imprensa e acompanhamento das condições das lavouras.

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