Cooperativas do Paraná miram R$ 250 bilhões e pressionam por mais crédito para o agronegócio

Reunião com o Ministério da Agricultura colocou financiamento, seguro rural e armazenagem no centro das discussões; setor busca condições para ampliar investimentos e conquistar mercados internacionais.

O cooperativismo paranaense projeta encerrar 2026 com faturamento de até R$ 250 bilhões, mas a continuidade desse crescimento depende de fatores como crédito, condições climáticas e cenário econômico. A perspectiva foi apresentada por representantes do Sistema Ocepar durante uma reunião com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), realizada em Brasília nos dias 27 e 28 de outubro.

O encontro colocou em pauta algumas das principais demandas do agronegócio do Paraná: financiamento da produção, seguro rural, apoio à comercialização, ampliação da capacidade de armazenagem e abertura de mercados internacionais.

Cerca de 20 representantes de cooperativas participaram da agenda, que integrou o IV Fórum de Inteligência e Educação Política do Sistema Ocepar. A reunião foi conduzida por integrantes da Secretaria de Política Agrícola do ministério, que apresentaram instrumentos públicos disponíveis para apoiar o setor. <Cite refs={[“turn857112search0″,”turn857112search15”]}/>

Crédito rural e armazenagem estão entre as prioridades

Um dos principais assuntos discutidos foi o acesso a recursos para financiar investimentos nas cooperativas. O Ministério apresentou mudanças relacionadas ao Plano Safra 2026/2027, incluindo ajustes nos limites de financiamento dos programas Prodecoop e Procap-Agro Giro.

O Prodecoop é voltado ao financiamento de investimentos em cooperativas agropecuárias, enquanto o Procap-Agro Giro oferece crédito para capital de giro dessas organizações.

Segundo o Mapa, foram apresentadas medidas para ampliar os limites de financiamento conforme o perfil das cooperativas, além da redução dos juros do Procap-Agro Giro.

Outro destaque foi o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que financia investimentos em infraestrutura de armazenagem. Conforme os parâmetros apresentados na reunião, o programa prevê juros de 8% ao ano para operações de até 12 mil toneladas e limite de crédito de até R$ 200 milhões para cooperativas de produção.

A ampliação da capacidade de armazenagem é estratégica para o Paraná, um dos principais estados produtores de grãos do país. Mais estrutura pode ajudar cooperativas a organizar o recebimento da produção, reduzir gargalos logísticos e melhorar as condições de comercialização.

As condições efetivas de contratação dependem das regras de cada programa, do enquadramento dos projetos e da disponibilidade de recursos.

Seguro rural preocupa produtores e cooperativas

O seguro rural também esteve entre os temas centrais da reunião. Representantes do governo e do cooperativismo discutiram o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), os desafios orçamentários para sua execução e as mudanças na legislação do setor.

O seguro é uma ferramenta de proteção financeira contra perdas provocadas por eventos como estiagens, geadas, granizo e excesso de chuvas, conforme as coberturas contratadas.

No Paraná, onde a produção agrícola tem peso importante na economia, a proteção contra riscos climáticos é uma preocupação recorrente. Uma quebra de safra pode afetar não apenas o produtor, mas também cooperativas, fornecedores, transportadores e municípios cuja atividade econômica depende do agronegócio.

A reunião também abordou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), instrumento que orienta o planejamento do plantio de acordo com as condições climáticas e os riscos de cada cultura.

Apesar das discussões, o encontro não representa, por si só, a aprovação de novos subsídios ou a liberação automática de recursos para todas as cooperativas. As medidas dependem das regras e dos procedimentos específicos de cada política pública. <Cite refs={[“turn857112search0″,”turn857112search1”]}/>

Paraná quer ampliar exportações e agregar valor à produção

Além do crédito, o governo federal e os representantes do setor discutiram estratégias para ampliar o acesso dos produtos agropecuários brasileiros aos mercados internacionais.

Entre os instrumentos apresentados estão a negociação de acordos comerciais, a abertura de mercados e a participação em feiras internacionais.

De acordo com o Ministério da Agricultura, a presença brasileira em feiras internacionais passou de 20 eventos em 2025 para 32 em 2026. O país também conta com uma rede de 40 adidos agrícolas no exterior, que atua na aproximação com parceiros comerciais e no apoio à expansão das exportações.

Para o cooperativismo paranaense, o desafio não se limita a produzir mais. Também envolve agregar valor à matéria-prima, ampliar o processamento industrial e conquistar novos compradores para produtos com maior valor agregado.

Esse movimento pode fortalecer as cadeias de carnes, grãos, lácteos e alimentos processados, além de criar oportunidades para investimentos industriais ligados às cooperativas.

O que os R$ 250 bilhões representam para o Paraná?

A projeção de faturamento de até R$ 250 bilhões para o cooperativismo paranaense em 2026 foi apresentada pelo superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti. O próprio representante condicionou a estimativa às condições macroeconômicas e climáticas.

O número demonstra a dimensão econômica que o setor espera alcançar, mas deve ser interpretado como uma projeção, não como um resultado financeiro já confirmado.

O desempenho das cooperativas tem reflexos que ultrapassam os limites das propriedades rurais. O setor movimenta atividades industriais, comércio, transporte, armazenagem, prestação de serviços e geração de empregos.

No Oeste do Paraná, a presença de cooperativas agropecuárias é particularmente relevante para a organização da produção e a conexão entre agricultores, agroindústrias e mercados consumidores.

A manutenção do crescimento, contudo, depende de uma combinação de fatores: produtividade, demanda, custos de produção, disponibilidade de crédito, logística e condições climáticas.

Próximos passos

A reunião ampliou o diálogo entre o governo federal e o cooperativismo paranaense, mas as medidas apresentadas precisam ser acompanhadas em sua execução.

Os próximos pontos de atenção são a disponibilidade efetiva de recursos do Plano Safra, as condições para contratação dos financiamentos, a execução do seguro rural e a ampliação da infraestrutura de armazenagem.

Para as cooperativas, o acesso a instrumentos financeiros adequados pode influenciar diretamente o ritmo dos investimentos. Para os produtores, as condições de crédito e proteção contra riscos ajudam a determinar o planejamento da próxima safra.

A projeção de R$ 250 bilhões coloca o cooperativismo paranaense diante de uma questão central: transformar o potencial de produção em crescimento sustentável, com financiamento, proteção contra perdas e maior presença nos mercados internacionais.

Fontes: Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e Sistema Ocepar.

Leia o comunicado oficial do Ministério da Agricultura.

Veja também