As equipes brasileiras de busca e salvamento seguem atuando em ritmo intenso na Venezuela na tentativa de localizar sobreviventes soterrados após o forte terremoto que devastou parte do país. Mesmo cinco dias após a tragédia, os especialistas afirmam que ainda existem chances reais de encontrar pessoas com vida entre os escombros, especialmente em locais onde se formaram os chamados “espaços vitais”.
A missão brasileira chegou ao território venezuelano na última sexta-feira (27) e é coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC). Cerca de 130 profissionais participam da operação humanitária, entre eles bombeiros especializados em resgate urbano, integrantes da Defesa Civil e equipes de apoio logístico.
Paraná participa da missão internacional
Entre os profissionais enviados estão bombeiros do Paraná, reconhecidos nacionalmente pela experiência em operações de busca e salvamento em estruturas colapsadas. A equipe integra os trabalhos em uma das regiões mais atingidas pelo desastre, realizando inspeções detalhadas em prédios destruídos e áreas de alto risco.
Os militares utilizam cães farejadores, sensores de detecção de vítimas, câmeras especiais e equipamentos capazes de identificar sinais de vida sob grandes volumes de concreto.
Trabalho entra na fase mais delicada
Segundo o tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, que lidera a equipe paranaense, a operação entrou na etapa mais técnica das buscas.
De acordo com ele, as vítimas que estavam em locais mais acessíveis foram retiradas nos primeiros dias pelas equipes venezuelanas. Agora, os esforços estão concentrados em pessoas que possam ter ficado presas em bolsões de ar formados pelo colapso das construções.
Esses espaços podem permitir a sobrevivência por vários dias, desde que a vítima consiga respirar e não tenha sofrido ferimentos fatais. Entretanto, o risco aumenta rapidamente devido à desidratação, ao frio, ao cansaço extremo e à falta de alimentos.
Operação exige precisão
As buscas são realizadas prédio por prédio e podem levar várias horas em uma única estrutura.
Antes da entrada das equipes, especialistas verificam se há risco de novos desabamentos. Somente após essa análise os cães de resgate percorrem o local, enquanto sensores eletrônicos e câmeras de fibra óptica ajudam a localizar possíveis sobreviventes em pontos inacessíveis.
Caso algum sinal seja identificado, os bombeiros marcam o local para que as equipes de resgate iniciem a retirada com segurança.
Corrida contra o tempo
As autoridades venezuelanas continuam atualizando o número de vítimas, enquanto equipes de diversos países trabalham de forma integrada para ampliar as chances de encontrar sobreviventes.
Apesar do avanço das horas desde o terremoto, especialistas em resgate afirmam que operações desse tipo já registraram salvamentos vários dias após grandes desastres, principalmente quando existem bolsões de ar e as vítimas permanecem protegidas sob estruturas parcialmente sustentadas.
A missão brasileira permanece mobilizada na Venezuela sem prazo definido para encerramento, acompanhando a evolução das operações de busca e prestando apoio às autoridades locais na resposta à tragédia.