O Paraná terá um orçamento estimado em R$ 84,6 bilhões para 2027, segundo a proposta encaminhada pelo governo estadual à Assembleia Legislativa. O valor representa um crescimento de aproximadamente 3,7% em relação ao orçamento de 2026, de R$ 81,5 bilhões.
Para Sergio Moro, caso assuma o governo estadual em 2027, o desafio não será apenas administrar um orçamento bilionário, mas garantir recursos para obras, saúde, educação, segurança pública e demais serviços sem comprometer o equilíbrio das contas estaduais.
O cenário fiscal apresenta dois lados: o Paraná mantém uma posição financeira relativamente sólida, mas o volume de dinheiro disponível em caixa diminuiu em relação aos anos anteriores. Isso torna ainda mais importante entender a diferença entre o orçamento previsto para o ano e o dinheiro efetivamente disponível para gastar.
Caixa do Estado diminuiu, mas Paraná mantém posição fiscal favorável
Um levantamento publicado em setembro apontou que o Paraná encerrou 2025 com cerca de R$ 10 bilhões em recursos disponíveis e não vinculados a destinações específicas, o maior valor entre os estados brasileiros naquele momento. Apesar disso, o saldo havia recuado aproximadamente 20% em termos reais em relação ao fim de 2022.
A redução está associada, segundo a Secretaria da Fazenda, ao uso de parte dos recursos acumulados para ampliar investimentos públicos e reduzir impostos. O governo também aponta crescimento das despesas e menor dinamismo de algumas receitas.
Isso significa que o próximo governador não encontrará necessariamente o mesmo volume de reservas que existia no início da atual gestão. Os números finais de 2026 serão importantes para determinar o espaço financeiro efetivamente disponível na transição de governo.
Quanto dinheiro estará disponível para investir em 2027?
A proposta orçamentária prevê R$ 84,6 bilhões para o próximo ano. Já a Lei de Diretrizes Orçamentárias trabalha com estimativas de receita corrente líquida de R$ 74,51 bilhões e prevê mais de R$ 7,5 bilhões em investimentos.
Esses valores não significam que todo o dinheiro estará livre para novas obras. Uma parcela expressiva do orçamento será destinada a despesas obrigatórias, como salários, aposentadorias, transferências aos municípios e manutenção dos serviços públicos.
Se Sergio Moro assumir o governo, terá de definir prioridades dentro desse cenário, conciliando a continuidade das obras em andamento com novas demandas de infraestrutura, segurança, saúde e educação.
Os principais desafios fiscais para o próximo governador
1. Preservar o dinheiro disponível em caixa
A redução das reservas torna importante acompanhar a arrecadação e o ritmo dos pagamentos, evitando comprometer a capacidade de honrar obrigações futuras.
2. Manter os investimentos em infraestrutura
Rodovias, hospitais, escolas e obras municipais dependem de recursos ao longo de vários anos. A continuidade dos projetos exigirá planejamento financeiro e definição de prioridades.
3. Controlar as despesas com pessoal e previdência
Os gastos com servidores e o déficit previdenciário cresceram nos últimos anos, pressionando uma parcela maior da receita estadual. O controle dessas despesas será importante para preservar recursos para outras áreas.
4. Acompanhar a arrecadação e a reforma tributária
A transição para o novo sistema tributário começará a afetar a estrutura de receitas estaduais em 2027. O governo precisará acompanhar a evolução da arrecadação e os efeitos das mudanças sobre o planejamento financeiro.
Paraná continuará com capacidade para investir?
Os indicadores disponíveis apontam que o Paraná ainda mantém uma situação fiscal relativamente favorável. O Estado possui classificação A+ em capacidade de pagamento, segundo a avaliação citada pela Secretaria da Fazenda, e a dívida bruta estadual caiu de 63,6% da receita corrente líquida em 2018 para 38,4% em 2025.
Por outro lado, a diminuição do caixa e o crescimento das despesas exigem atenção. A capacidade de continuar investindo dependerá não apenas do orçamento aprovado, mas também do comportamento da arrecadação, das despesas obrigatórias e do saldo financeiro efetivo no encerramento de 2026.
O que os números indicam: Sergio Moro poderá assumir um Estado com orçamento bilionário, capacidade de investimento e indicadores de endividamento favoráveis, mas com menos reservas financeiras do que as acumuladas em anos anteriores. O tamanho real da margem para novos projetos só poderá ser avaliado com segurança após a consolidação das contas de 2026 e a aprovação definitiva do orçamento de 2027.