Golpistas usam IA e números falsificados para enganar vítimas no Paraná

Criminosos estão usando uma combinação de tecnologia, inteligência artificial e engenharia social para tornar golpes por telefone cada vez mais convincentes no Paraná. A nova estratégia inclui a falsificação do identificador de chamadas, conhecida como spoofing, fazendo com que o celular da vítima mostre o número ou até o nome de uma pessoa, empresa, banco ou órgão público conhecido.

Casos recentes investigados no Estado apontam que os golpistas também passaram a utilizar informações reais disponíveis na internet e em processos judiciais, aumentando a aparência de legitimidade das abordagens. Há registros do golpe em cidades como Paranavaí, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Cambira.

O número que aparece na tela pode ser falso

No golpe conhecido como spoofing, o criminoso consegue manipular a identificação apresentada durante a chamada. Assim, a vítima pode atender acreditando que está falando com um familiar, advogado, banco ou instituição pública.

A técnica não significa que o telefone da pessoa ou instituição tenha sido necessariamente invadido. O criminoso pode simplesmente forjar a identificação apresentada ao destinatário.

A própria Anatel mantém mecanismos de autenticação e identificação de chamadas para combater esse tipo de falsificação e permitir que o consumidor tenha mais informações sobre a origem da ligação.

Golpistas podem usar inteligência artificial

Outro fator que aumenta o risco é a utilização de ferramentas de inteligência artificial.

Tecnologias capazes de reproduzir características da voz humana podem ser usadas para tornar a conversa mais convincente. Em situações de emergência simulada, por exemplo, o criminoso pode tentar fazer a vítima acreditar que está falando com um parente ou pessoa conhecida.

O objetivo geralmente é criar pressão e urgência, reduzindo o tempo que a vítima tem para desconfiar da história.

Como o golpe funciona

A abordagem pode variar, mas geralmente segue um roteiro:

1. A vítima recebe uma ligação aparentemente legítima.

O número exibido pode ser semelhante ou idêntico ao de uma pessoa ou instituição conhecida.

2. O criminoso apresenta informações verdadeiras.

Dados disponíveis publicamente podem ser utilizados para ganhar credibilidade.

3. Surge uma situação de urgência.

O golpista afirma que existe um problema bancário, processo judicial, dívida, acidente ou outra situação que precisa ser resolvida imediatamente.

4. É feito um pedido de dinheiro ou informação.

A vítima pode ser pressionada a realizar um Pix, fornecer dados bancários, códigos de autenticação ou informações pessoais.

5. O criminoso tenta impedir a confirmação.

Uma das principais estratégias é pedir que a vítima não desligue ou não procure outra pessoa para confirmar a história.

Polícia orienta população a desconfiar

A orientação das autoridades é clara: não forneça senhas, códigos de autenticação ou dados bancários durante uma ligação inesperada.

O Governo Federal também recomenda que a pessoa confirme a identidade do interlocutor e utilize os canais oficiais da instituição antes de realizar qualquer pagamento ou fornecer informações.

Uma regra simples pode evitar muitos prejuízos:

Se alguém ligar pedindo dinheiro com urgência, desligue e faça você mesmo uma nova ligação para o número oficial ou para a pessoa envolvida.

Não utilize o número fornecido pelo próprio interlocutor para fazer a confirmação.

O que fazer se receber uma ligação suspeita

  • Não forneça senhas ou códigos recebidos por SMS.
  • Não informe dados bancários.
  • Não faça Pix durante uma ligação inesperada.
  • Desligue e procure o contato oficial da instituição.
  • Se a pessoa disser ser um familiar, ligue diretamente para o familiar.
  • Guarde o número utilizado na chamada.
  • Faça prints e preserve mensagens, áudios e comprovantes.
  • Registre um Boletim de Ocorrência se houver tentativa ou prejuízo.

A Polícia Civil do Paraná recomenda que vítimas guardem todas as provas, incluindo prints e informações do número utilizado pelos criminosos, para auxiliar nas investigações.

Até números conhecidos podem ser falsificados

O principal alerta é justamente esse: não basta olhar para o número que aparece na tela.

Como o spoofing permite falsificar a identificação da chamada, um contato conhecido não significa, sozinho, que a ligação seja realmente daquela pessoa ou instituição.

Por isso, diante de qualquer pedido envolvendo dinheiro, documentos, senhas ou códigos, a recomendação é interromper a conversa e confirmar a informação por um canal independente.

Alerta para os paranaenses

Com a combinação de números falsificados, dados pessoais disponíveis publicamente e ferramentas de inteligência artificial, os golpes telefônicos estão ficando mais difíceis de identificar apenas pela aparência da chamada.

A principal defesa continua sendo simples: não agir sob pressão e sempre confirmar a informação por outro canal.

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