Paraná entra na virada da safra: colheita chega ao fim e novo plantio já começa no campo

Enquanto produtores encerram a retirada do milho safrinha e iniciam a colheita do trigo, áreas para a safra de verão 2026/27 já estão sendo preparadas em diferentes regiões do Estado

O Paraná vive, neste fim de agosto, um dos momentos mais movimentados do calendário agrícola: enquanto máquinas ainda trabalham para concluir a colheita de culturas de inverno e da segunda safra, produtores já preparam o solo para o próximo ciclo de produção.

Os dados mais recentes do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, mostram que o milho de segunda safra está próximo do fim da colheita, o trigo começa a ser retirado do campo e o plantio da próxima safra de verão já teve início em algumas regiões.

Milho safrinha chega à reta final

A colheita do milho de segunda safra alcançou 83% da área cultivada no Paraná até 24 de agosto, avanço de dez pontos percentuais em apenas uma semana. Na semana anterior, o índice estava em 73%.

O avanço foi favorecido pelo predomínio de tempo firme em grande parte do Estado. Em algumas regiões, a colheita já foi concluída, enquanto as áreas restantes estão principalmente em fase de maturação.

As condições das lavouras também são consideradas predominantemente boas: 92% estão classificadas como boas, 6% como médias e 2% como ruins.

Apesar do avanço, o resultado não foi uniforme em todo o Estado. Geadas, períodos de falta de chuva e outros eventos climáticos provocaram perdas localizadas, com redução de produtividade e problemas de qualidade. Em alguns casos foram registrados grãos avariados e até recusa de cargas por unidades armazenadoras.

Outro desafio observado durante a colheita foi a umidade dos grãos, que chegou a limitar o recebimento em algumas cooperativas e provocou filas em determinados pontos.

Trigo começa a deixar o campo

Enquanto o milho se aproxima da conclusão, o trigo começa sua própria fase de colheita.

Até 24 de agosto, 1% da área de trigo já havia sido colhida no Paraná. O trabalho ainda é pontual, mas a expectativa do Deral é de que ganhe intensidade nas próximas semanas, com algumas regiões iniciando a retirada da produção mais próximo de setembro.

Entre as lavouras que permanecem no campo, 31% estão em maturação, 38% em frutificação, 18% em florescimento e 13% em desenvolvimento vegetativo.

O cenário das lavouras é majoritariamente positivo, com 93% classificadas em boas condições e 7% em condição média.

O excesso de umidade e os períodos chuvosos, porém, aumentaram a pressão de doenças. O Deral registrou ocorrência de oídio e doenças de espiga, incluindo relatos de brusone, além de perdas pontuais provocadas por granizo.

E enquanto uma safra termina, outra já começa

A característica mais marcante deste período é que o produtor não espera uma colheita terminar completamente para começar a pensar na próxima.

O plantio do milho da primeira safra 2026/27 já começou de forma antecipada em algumas regiões do Paraná e alcançou 6% da área prevista até 24 de agosto.

A antecipação busca aproveitar as condições climáticas favoráveis e também organizar o calendário para permitir posteriormente o cultivo do feijão de segunda safra.

Nas áreas destinadas à soja, o movimento também já começou. Produtores trabalham na preparação e dessecação do solo enquanto aguardam as respectivas janelas de semeadura estabelecidas para cada região.

Soja será a próxima grande protagonista

A soja da safra 2026/27 começa a entrar no radar dos produtores paranaenses.

Mas há uma diferença importante: o Paraná possui três regiões com calendários diferentes para o vazio sanitário e para a semeadura da soja.

Na Região 2, que inclui Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste, a semeadura está autorizada a partir de 1º de setembro. No Sudoeste, o plantio começa em 11 de setembro. Já na Região 1, que engloba Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral, a semeadura está autorizada a partir de 20 de setembro.

O calendário faz parte das medidas de controle da ferrugem-asiática, doença que pode causar prejuízos importantes à produção de soja.

Por isso, o produtor precisa respeitar não apenas a data de plantio, mas também as regras do vazio sanitário e a eliminação de plantas voluntárias de soja.

Paraná troca uma safra pela outra

A movimentação atual mostra a força e a velocidade do agronegócio paranaense.

Em uma mesma semana, o campo pode apresentar máquinas terminando a colheita do milho, produtores retirando as primeiras áreas de trigo, equipes preparando o solo e agricultores iniciando o plantio do milho de verão.

É uma sequência que movimenta toda a cadeia produtiva.

Quando a colheitadeira deixa uma propriedade, entram em cena caminhões, cooperativas, armazéns, secadores, revendas de máquinas, fornecedores de sementes, fertilizantes e defensivos, além de toda a cadeia de transporte e comercialização.

Por isso, a virada da safra não representa apenas uma mudança no calendário agrícola. Ela também representa uma nova rodada de movimentação econômica para os municípios paranaenses, especialmente no interior.

O campo paranaense não para

O cenário de fim de agosto deixa uma fotografia clara do momento vivido pelo Paraná: o milho safrinha está na reta final, o trigo começa a ser colhido e a próxima safra de verão já está sendo plantada.

Para o produtor, começa agora uma nova corrida contra o calendário e o clima.

As decisões tomadas nas próximas semanas — desde o momento do plantio até a escolha de sementes, manejo do solo e controle de doenças — serão determinantes para o desempenho da safra 2026/27.

E, enquanto os últimos grãos da atual temporada deixam o campo, o produtor paranaense já olha para frente.

No Paraná, uma safra termina no caminhão e a próxima começa na terra.

Fonte: Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) e Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

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