BR-277: promessa de duplicação até 2034 coloca governo e concessionárias diante do desafio de cumprir o anunciado

A promessa de que a BR-277 estará totalmente duplicada entre Curitiba e Foz do Iguaçu até maio de 2034 voltou ao centro do debate no Paraná. O cronograma prevê aproximadamente 477,7 quilômetros de obras de ampliação de capacidade nos trechos que ainda possuem pista simples. A previsão é acompanhada e fiscalizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O anúncio, porém, precisa ser analisado com cautela. Para o motorista, para o setor produtivo e principalmente para o agronegócio, o que importa não é apenas a promessa ou o cronograma apresentado, mas a obra efetivamente entregue dentro do prazo.

A própria história recente da infraestrutura rodoviária paranaense mostra que grandes anúncios precisam ser acompanhados de cobrança e fiscalização. Em 2021, por exemplo, a ANTT destacava um cenário em que o Paraná havia conseguido duplicar apenas 70 quilômetros de rodovias com recursos federais e estaduais ao longo de sete anos, enquanto novos programas de concessão passaram a projetar centenas de quilômetros de duplicações.

Governo Ratinho Junior também precisa ser cobrado

O governo Ratinho Junior construiu uma imagem de gestão associada a grandes investimentos, obras e modernização da infraestrutura do Paraná. Essa imagem é bastante divulgada nas redes sociais e na comunicação institucional.

Mas uma avaliação jornalística precisa ir além da propaganda oficial.

Anunciar uma obra é uma coisa. Entregar a obra é outra.

No caso da BR-277, é importante deixar claro que boa parte das novas duplicações está vinculada aos contratos de concessão federal e às empresas concessionárias, sob fiscalização da ANTT. Portanto, não seria correto atribuir exclusivamente ao Governo do Paraná a execução dessas obras.

Por outro lado, o governo estadual tem responsabilidade política na defesa dos interesses do Paraná, na cobrança por resultados e na articulação para que obras estratégicas realmente saiam do papel.

E é justamente nesse ponto que a população deve ficar atenta.

A promessa precisa virar concreto

Atualmente, já existem obras avançando. A ANTT informou recentemente que há 17,1 quilômetros de duplicação em Irati e 10,4 quilômetros em Palmeira, além de novas frentes previstas para a BR-277. O programa de concessões prevê aproximadamente 343 quilômetros de duplicações até 2031.

Também houve antecipação de algumas intervenções. Em junho, por exemplo, a ANTT anunciou a liberação antecipada de trechos de terceiras faixas da BR-277 em São José dos Pinhais.

Isso mostra que existem obras concretas acontecendo.

Mas a promessa de 477,7 quilômetros de duplicação até 2034 é muito maior e será um teste de longo prazo para as concessionárias, para a ANTT e também para a capacidade política do Estado de acompanhar e cobrar os resultados.

Paraná não pode viver apenas de anúncio

A BR-277 é uma das principais artérias econômicas do Paraná. Ela conecta regiões produtoras, centros urbanos, o Porto de Paranaguá e a fronteira com o Paraguai.

Para o produtor rural, caminhoneiro, comerciante e trabalhador que utiliza a rodovia, atrasos significam mais tempo de viagem, maior custo logístico e, em determinados trechos, maior risco de acidentes.

Por isso, o debate não deveria ser simplesmente “o governo anunciou a duplicação”.

A pergunta que interessa é:

quando cada trecho ficará pronto?

E, principalmente:

será entregue no prazo prometido?

Esse é um ponto importante para uma avaliação mais realista do governo Ratinho Junior. A administração estadual tem resultados positivos que podem ser reconhecidos, mas isso não significa que toda promessa ou anúncio deva ser automaticamente tratado como obra concluída.

A comunicação política pode vender uma imagem de eficiência. Quem deve confirmar essa eficiência é a realidade: quilômetros duplicados, hospitais funcionando, estradas entregues, serviços públicos funcionando e obras concluídas.

No caso da BR-277, o calendário agora está lançado. Cabe à população, à imprensa e aos órgãos de fiscalização acompanhar cada etapa até 2034.

Porque, no fim das contas, o Paraná não precisa de mais promessas. Precisa que as promessas sejam cumpridas.

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