Audiência na Assembleia Legislativa reuniu representantes dos três Poderes e discutiu medidas para fortalecer a proteção às mulheres
O combate à violência contra a mulher voltou a ganhar destaque na agenda pública do Paraná nesta semana. A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, na terça-feira (18), uma audiência pública para discutir os avanços e os desafios do Pacto Brasil Contra o Feminicídio, iniciativa que reúne os três Poderes em ações de prevenção e enfrentamento à violência de gênero.
O encontro reuniu autoridades estaduais e federais, representantes do Judiciário e integrantes da sociedade civil. Entre os participantes estiveram a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a primeira-dama Janja da Silva, representantes do governo federal e a secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná, Mariana Neris.
Feminicídio caiu 20% no Paraná
Durante a audiência, Mariana Neris destacou que o Paraná registrou uma redução de 20% nos casos de feminicídio entre 2024 e 2025. Apesar do avanço, a secretária ressaltou que o resultado não significa que o problema esteja resolvido e que as ações de prevenção precisam continuar.
A avaliação apresentada no encontro é que o feminicídio representa, muitas vezes, o estágio final de um processo de violência que começa com agressões psicológicas, físicas, sexuais, morais ou econômicas.
Por isso, especialistas e autoridades defenderam que a rede pública consiga identificar situações de risco e agir antes que a violência chegue às consequências mais graves.
Nova central atende mulheres vítimas de violência política
Outro movimento importante ocorreu na Assembleia nesta semana. A Defensoria Pública do Paraná (DPE-PR) apresentou à Bancada Feminina da Casa uma nova Central de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Política de Gênero.
O serviço oferece atendimento jurídico gratuito e sigiloso, realizado por uma equipe feminina. O objetivo é proteger mulheres que sofrem ameaças, perseguições, humilhações ou outras formas de violência relacionadas à participação na vida política.
A iniciativa ganha importância especialmente durante o período eleitoral de 2026. Segundo a Defensoria, o atendimento também deverá alcançar, no futuro, lideranças comunitárias e mulheres que participem da política para além dos cargos eletivos.
Assembleia também discute novas medidas
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia aprovou recentemente propostas que buscam ampliar a proteção às vítimas.
Uma delas cria uma campanha permanente de prevenção à violência vicária, quando filhos, familiares ou pessoas próximas são utilizados pelo agressor para atingir emocional ou psicologicamente a mulher.
Outra proposta estabelece que mulheres vítimas de crimes sejam atendidas preferencialmente por servidoras mulheres nas delegacias, sempre que houver disponibilidade.
Proteção precisa chegar aos municípios
O debate realizado no Paraná reforça uma questão fundamental: o enfrentamento à violência contra a mulher não depende apenas das estruturas estaduais e federais.
A rede de proteção também passa por prefeituras, delegacias, serviços de assistência social, saúde, Judiciário, Ministério Público e organizações da sociedade civil.
A integração entre esses setores é considerada essencial para que uma mulher consiga denunciar uma situação de violência e tenha acesso rápido à proteção e ao atendimento necessário.
O Paraná avança em novas políticas e mecanismos de proteção, mas o desafio permanece: identificar a violência antes que ela evolua e garantir que nenhuma mulher fique sem atendimento quando decidir denunciar.