Sistema utiliza leitura da palma da mão para identificar pedestres que retornam do Paraguai; regras e cotas para compras continuam as mesmas.
A Receita Federal iniciou um projeto-piloto de identificação biométrica na Ponte Internacional da Amizade, entre Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, e Ciudad del Este, no Paraguai. A novidade utiliza equipamentos capazes de fazer a leitura da palma da mão dos viajantes e começou a funcionar em 1º de outubro.
Nos primeiros dez dias de testes, os totens registraram 43.495 travessias de pedestres. O objetivo é melhorar o controle da movimentação na fronteira, agilizar procedimentos e auxiliar na identificação de situações que exigem fiscalização.
Como funciona o novo sistema
Os equipamentos foram instalados na aduana brasileira e atendem, nesta primeira fase, pessoas que atravessam a ponte a pé no sentido Paraguai–Brasil.
A tecnologia faz a leitura da palma da mão sem contato físico com o aparelho. O registro pode ser realizado em poucos segundos e permite contabilizar as passagens, contribuindo para que a fiscalização identifique padrões de deslocamento e direcione suas ações.
O projeto-piloto está previsto para ocorrer durante todo o mês de outubro. Depois desse período, os resultados deverão ser avaliados para determinar eventuais ajustes e a possibilidade de ampliação do sistema.
Movimento chega a quase 4,7 mil travessias em um dia
Os primeiros dados mostram a intensidade do fluxo de pedestres na Ponte da Amizade. Em um sábado de feriado prolongado, 4.679 travessias foram registradas ao longo do dia.
O horário de maior movimento ocorreu por volta do meio-dia, quando 1.076 pessoas passaram pelos equipamentos em apenas uma hora. O resultado demonstra o desafio de organizar a circulação em uma das principais ligações terrestres entre o Brasil e o Paraguai.
O que muda para quem vai fazer compras no Paraguai?
Para os brasileiros que visitam Ciudad del Este para comprar eletrônicos, perfumes, roupas e outros produtos, a principal mudança é a inclusão desse procedimento de identificação no retorno a pé ao Brasil.
A implantação da biometria não altera as cotas de isenção nem as regras para trazer mercadorias do Paraguai. Os limites aduaneiros, as obrigações de declaração e os procedimentos de fiscalização continuam valendo normalmente.
A Receita Federal também esclarece que a tecnologia funciona como ferramenta de apoio, sem substituir o trabalho dos servidores responsáveis pelo controle aduaneiro.
Sistema ainda está em fase de testes
A experiência deverá ajudar a avaliar se a leitura biométrica consegue tornar o fluxo mais organizado sem comprometer a fiscalização. Também serão analisados aspectos operacionais, tecnológicos e relacionados à proteção dos dados pessoais.
Por enquanto, a novidade está restrita ao projeto-piloto com pedestres que entram no Brasil vindos do Paraguai. Não há confirmação de que o procedimento será ampliado para veículos ou de que permanecerá em funcionamento após a conclusão dos testes.
Para moradores de Foz do Iguaçu e de outras cidades do Oeste paranaense, a iniciativa merece atenção porque qualquer mudança no controle da Ponte da Amizade pode ter reflexos no turismo de compras, no comércio fronteiriço e na rotina de quem atravessa a divisa com frequência.